Jards Macalé e Dalva Torres

Projeto Almirante

Um Artista Caprichoso e Inovador

Romantismo e Malandragem em Tempo de Samba
(Comentário sobre cada músic)

Músicas


Projeto Almirante

O projeto Almirante, nome com quem se presta homenagem à memória do grande, cantor e compositor radialista, cantor e compositor Henrique Fôreis Domingues, vem complementar a serie de ações que a Funarte esta desenvolvendo no sentido de promover, divulgar, apoiar e preservar as manifestações culturais do povo brasileiro no domínio da musica.

O Projeto Lucio Rangel tem proporcionado o registro bibliográfico e o levantamento de todo um repertorio, inédito em discos ou em partitura, de composições que cobrem riquíssimas diversidades de estilos e de formas musicais.

O Projeto Pixinguinha tem acionado uma enorme massa de interpretes, levando-os aos mais distantes rincões do país num esforço de formação de novas platéias e de mobilização culturais das comunidades.

O Projeto Pixinguinha promove a apresentação, no Rio de Janeiro, de artistas regionais que se destacaram nos espetáculos que precedem a apresentação do Pixinguinha em todo o país.

O Projeto Ary Barroso divulga nossa musica popular fora do país em convenio celebrado com o Ministro das Relações Exteriores.

O Projeto Airton Barbosa promove a edição de partituras inéditas, levantadas nas pesquisas do Projeto Lucio Rangel ou pertencentes a acervos públicos ou particulares, mas sem interesse comercial para as editoras, bem como arranjos executados em discos do Projeto Almirante.

O Projeto Radamés Gnattali amplia a cão do Projeto Airton Barbosa, promovendo a edição de discos, em sistema de play-back, que se dirigem a especifica clientela dos instrumentais, visando a estimular a pratica de conjunto.

O Projeto Salas Funarte absorve um tipo de produção alternativa que raramente ou nunca tem acolhida na programação convencional das salas de espetáculos.

Com o Projeto Almirante, amplia-se esse ciclo harmonioso, que objetiva atender ao escoamento de uma produção artística que dificilmente seria absorvida pelo circuito discográfico comercial, pelos aspectos menos convencionais de sua proposta. O projeto pretende documentar não só essa produção de bem cultural que jamais chegou ao disco, ou que nele teve vida efêmera, objetivando dessa forma reeditar títulos essenciais ao entendimento de nosso processo de criação. Pretende ainda, à feição do Projeto Airton Barbosa, recuperar acervos de musica popular confinados em arquivos de particulares, resgatando-os para o domínio publico e fixar em discos os resíduos decorrentes da própria ação da Funarte, na sua qualidade de produtora de bens culturais.

Propõe-se o Projeto Almirante abranger, em sua coleção de títulos no âmbito da musica popular, a criatividade nacional na extensa multiplicidade de suas formas.

Aos projetos, a divisão musical popular alia a produção de eventos relativos a pessoas ou episódios significativos da historia da MPB, enfocando-os em espetáculos musicais.

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Um Artista Caprichoso e Inovador

Depondo sobre sua vida, Ismael Silva costumava ressaltar: “eu fui um menino diferente. Vivia pedindo a minha mãe para me botar na escola. Um dia, como ela não me atendia eu mesmo tomei a iniciativa de me matricular. Isso quando tinha somente seis ou sete anos de idade”.Embora um tanto exagerado pelo depoente. “nem tudo o que se diz, se faz,” cantava ele mesmo, esse fato pode ser considerado como uma manifestação precoce de seu temperamento voluntarioso e individualista.

Ficava a tal escola no Rio Comprido, um dos três bairros cariocas (os outros foram Catumbi e Estácio de Sá) nos quais o compositor viveu a infância e a juventude. Nascido em Jurujuba, praia de Niterói, em 14 de setembro de 1905, Ismael foi o quinto e ultimo filho do cozinheiro Benjamin da Silva e de sua mulher, Emilia Correia Chaves. Enviuvando muito cedo, Emilia se mudaria para o Rio de Janeiro, onde trabalharia como lavadeira, levando consigo o filho caçula e deixando os demais com parentes.

Freqüentador das rodas de samba e malandragem dos bairros em que foi criado, Ismael Silva começaria ainda adolescente a exercer sua vocação de compositor, logo se tornando um personagem típico do meio onde vivia: o sambista “malandro rico de talentos”, no dizer do critico Jose Ramos Tinhorão, que rejeitava qualquer tipo de trabalho alheio a sua arte.

E como malandro talentoso ele iria desempenhar papel importante naquele grupo de sambista que entrariam para a historia da musica popular brasileira com o titulo de Os Bambas do Estácio. Esses bambas (Rubens e Alcebíades Barcelos, Nilton Bastos, Edgar, Francelino, Grandim Etc...) com Ismael a frente, foram os responsáveis pela cristalização do samba carioca na forma ate hoje adotada, revogando o ritmo amaxixado usando pelos compositores que os antecederam. Isso porque, sendo também responsáveis pela criação, em 1928, da primeira escola de samba, a deixa falar, em 1928, da primeira escola de samba, a Deixa Falar, eles sentiram a necessidade de simplificar a rítmica do samba, justamente para facilitar o deslocamento dos foliões que desfilavam na agremiação.

Seria Poe essa época da fundação da Deixa Falar que a fama de Ismael, ultrapassando as fronteiras do Estácio, lhe proporcionaria a oportunidade de integrar-se ao meio musical da cidade. Atuaria como introdutor do sambista na vida profissional o cantor Francisco Alves, na ocasião recordista em vantagem de discos.

Não agia, porem por mero altruísmo o esperto cantor, quando resolvia levar parta as rádios e gravadoras o repertorio do compositor iniciante. Na realidade, percebendo as perspectivas de sucesso daquele tipo de samba que Ismael fazia, procurava assegurar para si a exclusividade de sua produção. Tanto assim que, recusada uma proposta de comprar pura e simples do material, acabaria acertando com o compositor um trato que lhe asseguraria a exclusividade pretendida, alem da inclusão de seu nome na parceria. Por imposição de Ismael, participava ainda do trato seu amigo Nilton Bastos, co-autor verdadeiro das composições.

Essa sociedade sui-generis durou sete anos, os melhores da carreira de Ismael, em que ele teve gravadas cerca de sessenta musicas. Foram os anos das parcerias fortes com Nilton Bastos (prematuramente desaparecidos, em 1931) e Noel Rosa. Sobre o contrato com Francisco Alves, o compositor declarava, em 1968, num depoimento ao Mis do Rio de Janeiro: “foi bom pra mim e bom pro Chico. Se não fosse o Chico, talvez eu não chegasse onde cheguei. Ele me apresentava como seu braço direito em todos os lugares que a gente ia”.

Por volta de 1936 Ismael manteve romance com uma moça do Estácio, daí resultado o nascimento de uma filha. Ainda nesse mesmo ano ele se meteria em encrencas, sendo condenado por tentativa de homicídio, episodio que procurou esconder ate o final da vida. Essa condenação funcionava como um verdadeiro divisor de águas em sua carreira que ao ser retomada, após dois anos e meio de interrupção, jamais alcançaria o êxito da fase anterior.

Realmente, Ismael não procurou se adaptar ao meio artístico, já bem comercializado, que encontrou na hora do retorno. Muito cioso de sua arte, o antigo líder do Estácio se negava a agir como os colegas que freqüentavam os corredores das gravadoras em busca de interpretes para suas criações.

Iniciaria, então, um longo período de retraimento que se refletiria um acentuado declínio em sua produção, ainda que esporadicamente, continuasse a fazer composição a altura de seu talento.

A partir de meados da década de 1950, porem, já vivendo a fase da maturidade, Ismael voltaria a gravar a participar de shows em teatros e televisão. Estas atividades, importantes para que as novas gerações conhecessem sua obra, seriam intensificadas ma década seguinte, embora poucos contribuíssem para melhorar seu modesto padrão de vida.

Ao completar setenta anos, em 1975, Ismael morava numa casa de cômodos na avenida Gomes Freire, na zona central do Rio, perto dos bairros de sua juventude. De lá sairia, as vésperas do Natal de 1977, para interna-se no Hospital da Lagoa, a fim de operar uma ulcera varicosa, mal que há tempos o afligia. Ainda no hospital, em convalescença da operação, morreria no dia 14 de março de 1978, fulminado por um ataque cardíaco.

Artista caprichoso e inovador, figura importante da historia do samba, Ismael Silva teve a felicidade de receber em vida o reconhecimento de seu valor por críticos e estudiosos de nossa musica popular.

Jairo Severiano
Junho 1988

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Romantismo e Malandragem em Tempo de Samba
Comentário sobre cada música

Autor de uma obra eminentemente sambista, Ismael Silva deixou gravadas cerca de noventa composições. Esta obra é revisitada por Dalva Torres e Jards Macalé neste elepê em que a Divisão de Musica Popular do Instituto Nacional de Musica da Funarte homenageia a memória do compositor. São 16 peças escolhidas pelos produtores Mauricio Carrilho e João Aquino, a partir de uma pré-seleçao de Túlio Feliciano que sintetizam as principais características do legado artístico de Ismael.

Me Faz Carinhos
Me Faz Carinhos é a primeira composição gravada de Ismael.
“Eu estava doente, hospitalizado”, declarava ele num depoimento ao MIS, “quando chegou o Bidê “ (Alcebiades Barcelos) “com uma proposta do Chico Alves para comprar o Me Faz Carinhos por 100 mil reis.

Fiquei entusiasmado e vendi imediatamente. ”Pouco depois em janeiro de 1928 saia o disco, figurando na autoria apenas o nome de Francisco Alves. Vale aqui assinalar a presença, já nos versos deste samba, das citações de ditos populares (“a maré que enche, vaza”, “vai-se um amor e vem outro”), uma constante na obra de Ismael.

Amor Malandro
Uma das melhores criações de Ismael, este samba chama a atenção do ouvinte logo em sua segunda nota, uma oitava acima da primeira. Focalizando o tema “o amor malandro” (“se ele te bate é porque gosta de ti”) muito em moda na época, seria lançado por Francisco Alves em junho de 1929, constituindo-se um dos sucessos do ano. No rotulo do disco, onde a composição aparece com o titulo de Malandro, omiti-se outra vez o nome do autor, substituído pelos de Francisco Alves e Freire Junior.

Não Vá Atrás de Ninguém
Ismael Silva gabava-se de ter feito este samba em poucos minutos, durante uma viajem de trem: “Eu estava inspirado, meio alto, e voltava de uma festa em Meriti”. Na letra, conselhos a uma namorada ciumenta para que não acredite na conversa dos rivais, pois, “só mesmo Deus pe que consegue escapar da língua desse pessoal”. Não vá atrás de ninguém pertence a segunda fase da obra, sendo lançado por Ciro Monteiro, em novembro de 1941.

Com a Vida Que Pediste a Deus
Este é um samba lamento, nascido de uma tremenda complicação sentimental, confessa o compositor em entrevista a Brício de Abreu. E por não contar o resto da historia, apesar de insistência do jornalista, Ismael poderia talvez se justificar cantando os versos finais da composição: “pra não me colocar em ma situação, prefiro declinar da pretensão”. Com a vida que pediste a Deus teve como primeiro interprete J.B. de Carvalho, em 1939.

Ironia
Nilton Bastos um bamba do Estácio, foi um dos grandes parceiros de Ismael (o outro sendo Noel Rosa) em sua fase áurea. Típicos dessa fase é o samba Ironia, de autoria dos dois, que chora as magoas de um amante desiludido. Nilton morreu tuberculoso em setembro de 1931, meses após o lançamento desta composição, por Francisco Alves.

Eu Gosto, Mas Não é Muito
O carnaval de 1932 foi dominado pelo O teu cabelo não nega, seguindo perto por Eu gosto, mas não é muito, o único sucesso de Ismael em tempo de marcha. Embora não citado no disco inicial (gravado por Francisco Alves), Noel Rosa esta na parceria, sendo caracteristicamente seus os versos da segunda parte, que exploram ditos espirituosos daqueles períodos pós-revoluçao de 1930.

Sofrer é da Vida
Outro samba da dupla Ismael/Nilton, Sofrer é da Vida (aqui a ditado esta no próprio titulo) fez sucesso em 1932, na voz de Mario Reis. Nos versos, um novo caso de amor desfeito, não obstante as juras...Alias, essa palavra “jura” era uma das mais usadas pelos letristas da época. Depois saiu de moda, tal como “orgia, juízo, padecer” etc...

Adeus
Apesar do tema triste, este bonito samba em nenhum momento descamba para o pieguismo. Dizem que Ismael e Noel o teriam composto em homenagem a Nilton Bastos, afirmação que os dois nunca chegaram a desmentir. Segundo, porem, Maria Thereza Mello Soares, biografa de Ismael, há um outro samba da mesma época, Rir para não chorar, que é dedicado por ele ao amigo desaparecido, conforme partitura existente no MIS, Adeus pertence a pródiga safra de 1932.

Liberdade
Ismael Silva jamais fez musica de caráter político ou social. Assim, a liberdade aqui cantada é a do sujeito que se viu livre de uma amante incomoda. A propósito, andou a censura, nos idos de 1932, implicando com a letra deste samba que começa com o refrão do Hino da Proclamação da Republica e termina com a exportação “independência ou morte” Resultado: o disco (gravado por Francisco Alves) foi retirado das lojas, só retornando depois que a Odeon substituiu Liberdade por um sambista chamado Oh! Dora.

Novo Amor
Mesmo sendo um dos criadores da nova estrutura rítmica do samba, que liberou o gênero da forma amaxixada, Ismael sofreria por certo tempo a influencia dos compositores que precederam. Isso pode ser constatado em alguns de seus sambas, como este excelente Novo Amor (composto em 1929), bem mais identificados com o estilo de Sinhô do que com o do próprio Ismael.

Se Você Jurar
Um clássico da MPB, Se Você Jurar é o maior sucesso de Ismael na fase áurea de sua carreira. Sem exageros, pode-se considera-lo como um dos modelos que mais influenciaram os sambas dos anos 1930. “A primeira parte é de Nilton Bastos com a ajuda de Ismael e a segunda toda de Ismael,” esclarece seu amigo Hermínio Bello de Carvalho no artigo “São Ismael, o sambista”, publicado em 1963. Esse artigo refuta uma aversão (não comprovada) que atribuiu a Nilton a autoria exclusiva da composição. Se Você Jurar, que venceu o Carnaval de 1931, foi lançado pela dupla Francisco Alves e Mario Reis e regravado por inúmeras interpretes, como Carlos Galhardo, Elza Soares, Carolina Cardoso de Meneses, Trio Irakitan, Miltinho e, Naturalmente, Ismael Silva.

Contrastes
Neste samba, pertencente à fase da maturidade, o compositor utilizava um curioso jogo de imagens para filosofar sobre os contrastes da vida. Assim enquanto “existia muita tristeza na rua da Alegria” e “muita desordem” na “da Harmonia”, só se encontra “fracasso no largo da Gloria”. Tudo isso sobre uma melodia de boa qualidade que lembra o Ismael dos velhos tempos do Estácio.

Coisa Louca
Uma das mais românticas canções de Ismael, Coisa Louca, foi lançada por ele no elepê que gravou na RCA, em 1973. No arranjo aqui apresentado, Mauricio Carrilho da a composição uma roupagem de tango, onde se destaca, alem da interpretação de Dalva Torres, a presença de um nostálgico bandoneon.

Nome Feio
Duas características fazem de Nome feio uma peça diferente na obra de Ismael: o ritmo de choro e a letra bem-humorada, em que ressalta o propósito do autor e se mostrar espirituoso. Ismael gostava muito de cantar esta composição, cuja lembra outros choros conhecidos.

Antonico
Neste samba memorável Ismael Silva consegue expor, de forma simples e coloquial, o tema pungente e ate certo ponto dramático do pedido de auxilio para o amigo necessitado. E é o efeito patético, produzido pela perfeita conjunção da letra com uma melodia triste, que faz de Antonico o maior sucesso da segunda fase de sua carreira e um clássico da MPB. Ismael sempre negou a possibilidade desta composição ser autobiográfica. Na realidade, porem ele viveria (em 1939) uma situação semelhante a do personagem Nestor, fato que esta registrado numa carta de Pixinguinha a Mozart de Araújo (publicada no livro Pixinguinha, Filho de Ogum bexiguento, de Marilia T. Barbosa e Artur Oliveira Filho) e que bem poderia ter inspirado o samba. Lançado por Alcides Gerardi, em 1950, Antonio conta em sua discografia com vários interpretes ilustres, entre os quais Gal Costa, Elza Soares, MBP-4, Miltinho, o próprio Ismael e, agora, Macalé e Dalva Torres.

Peçam Bis
Encerra o elepê o alegre sambista Peçam Bis (composto nos anos 1960), no qual o compositor agradece a atenção dispensada e pede espirituosamente aos ouvintes: “se não gostarem, não digam nada a ninguém, senão os outros não vão me escutar também...”

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Músicas

Me Faz Carinhos
Amor Malandro
Não Vá Atrás de Ninguém
Com a Vida Que Pediste a Deus
Ironia
Eu Gosto, Mas Não é Muito
Sofrer é da Vida
Adeus
Liberdade
Novo Amor
Se Você Jurar
Contrastes
Coisa Louca
Nome Feio
Antonico
Peçam Bis

 

Me Faz Carinhos
Ismael Silva/Francisco Alves

Mulher tu não me faz carinhos
Teu prazer é de me ver abandonado
Ora vai mulher es obrigada a viver comigo

Se eu homem branco
Ou por outra mulatinho
Talvez eu tivesse sorte
De gozar os teus carinhos
A maré que enche vaza
Deixa a praia descoberta
Vai-se um amor e vem outro
Nunca vi coisa tão certa

Mulher tu não me faz carinhos...(etc...)

Oh! Meu bem o teu orgulho
Algum dia há de acabar
Tudo como o tempo passa
A sorte é Deus quem dá
Vou-me embora, vou-me embora
Como já disse que vou
Eu aqui não sou querido
Mas minha terra eu sou

Interprete: Jards Macalé
Arranjos: Mauricio Carrilho
Bateria Oscar Bolão
Contrabaixo Acústico: Zeca Assmpçao
Piano elétrico e piano acústico: Túlio Mourão
Clarinete: Paulo Sergio
Violão acústico: Mauricio Carrilho

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Amor de Malandro
Ismael Silva/Francisco Alves/Frei Junior

Vem , vem
Que eu dou tudo a você
Menos vaidade
Tenho vontade
Mas é que não pode ser

Amor é o do malandro
Oh! Meu bem
Melhor do que ele ninguém
Se ele te bate é porque gosta de ti
Eu nunca vi

Interprete: Dalva Torres
Arranjos: Mauricio Carrilho
Bateria Oscar Bolão
Contrabaixo Acústico: Zeca Assmpçao
Piano acústico e Yamaha DX 7: Túlio Mourão
Violão acústico e guitarra sintetizador (Roland GR 700): Mauricio Carrilho

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Não Vá Atrás de Ninguém
Ismael Silva

Aos meus vizinhos
Eu agrado também!...
Mas meus carinhos
Só você é que tem!
Os meus rivais
Fazendo o mal, se entretem...
Não chores mais...
Não vá atrás de ninguém

Retratos meus
Eu sempre tenho que dar!
Que lhe contou
Interpretou muito mal...
Só mesmo Deus
É que consegue escapar
Da língua desse pessoal!...

Interprete: Dalva Torres
Arranjos: Mauricio Carrilho
Acordeão: Chiquinho do Acordeão
Violão Acústico: Mauricio Carrilho
Violão elétrico (morris) João de Aquino

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Com a Vida Que Pediste a Deus
Ismael Silva

Eu queria te fazer feliz...
Mas me surpreendi
Com os defeitos teus
Se é conforme todo o mundo diz
Estas com a vida
Que pediste a Deus...

Ninguém te da valor
Ninguém de ti tem dó...
Não queres o amor
De uma pessoa só
Se a regeneração
Vier te interessar
Com minha proteção
Podes contar

Entre os defeitos teus
Este é o principal
Vou dar-te um adeus
Sem ser meu ideal
Pra não me colocar
Em ma situação
Prefiro declinar
Da pretensão

Interprete: Dalva Torres
Arranjos: Mauricio Carrilho
Pandeiro e caixa com escova: Oscar Bolão
Surdo e tantã: Gordinho
Cavaquinho: Valmar do Cavaquinho
Violão acústico: Mauricio Carrilho
Palmas: João de Aquino, Marcos Suzano,
Mauricio carrilho e Oscar Bolão.

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Ironia
Ismael Silva/Nilton Bastos/Francisco Alves

Não tens nada de beleza
Alem disso és dureza
Não vivo de carinho
Fizeste boa promessa
Foi assim nessa conversa
Que me enganei direitinho

Contigo eu me enganei
Pelo valor que te dei
Fui direitinho no seu carinho
Na sua conversa eu andei
Pode ficar descansada
Não vou mais te procurar
Para amar tanto
Nunca ter nada
Sozinho eu quero ficar

Interprete: Jards Macalé
Arranjos: Mauricio Carrilho
Violão Tenor: Pedro Amorim
Bateria e pandeiro: Oscar Bolão
Contrabaixo Acústico: Zeca Assumpção
Piano elétrico (Rhodes): Túlio Mourão
Clarinete: Paulo Sergio

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Eu Gosto, Mas Não é Muito
Ismael Silva/Nilton Bastos/Francisco Alves

Olha, escuta meu bem
É com você que eu estou falando, neném
Esse negocio de amor, não convém
Gosto de você, mas não é muito...muito...

Fica firme, não estrila
Traz o retrato e a estampilha
Que eu vou vê
O que eu posso fazer por você

Teu amor é insensato
Me amofinou mesmo de fato
Não leve a mal
Eu prefiro a lei marcial

Interprete: Dalva Torres
Arranjos: Mauricio Carrilho
Triangulo e caixa com escova: Oscar Bolão
Contrabaixo acústico: Zeca Assumpção
Piano elétrico (Rhodes) e piano acústico: Túlio Mourão
Violão acústico: Mauricio Carrilho

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Sofrer é Da vida
Ismael Silva/ Nilton Bastos/ Francisco Alves

Sofrer é da vida
Eu já me convenci
Adeus minha querida
Não foi pra você que eu nasci

Você tem boa conversa
Mas não vai me tapear
Pode ate fazer promessas
Porque eu não torno a voltar

Seu amor ninguém atura
Que me disse não mentiu
Você me fez uma jura
E ate então não cumpriu

Interprete: Jards Macalé
Arranjos: Mauricio Carrilho
Violão acústico (2): Mauricio Carrilho, Marcos Suzano
Efeitos especiais: Assobios Dalva Torres, Déia,
João de Aquino, Mauricio Carrilho
Tapas na barriga e estalar dos dedos: João de Aquino,
Marcos Suzano, Mauricio Carrilho, Pedro Amorim
Voz preto velho: Erley Jose

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Adeus
Ismael Silva/Noel Rosa/Francisco Alves

Adeus! adeus! adeus!
Palavra que faz chorar
Adeus! adeus! adeus!
Não há quem possa suportar

Adeus é tão triste
Que não se resiste
Ninguém jamais
Com adeus pode viver em paz

Pra que fostes embora
Por ti tudo chora
Seu teu amor
Esta vida não tem mais valor

Interprete: Dalva Torres
Arranjos: Mauricio Carrilho
Bateria Oscar Bolão
Contrabaixo Acústico: Zeca Assumpção
Violão acústico: Mauricio Carrilho
Piano elétrico (Rhodes) e Yamaha dx 7: Túlio Mourão

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Liberdade
Ismael Silva/Francisco Alves

Liberdade, liberdade
O meu amor foi embora
Pensando deixar saudades
Eu nunca fui tão feliz
Agora sou eu quem diz...
Foi uma felicidade (Eu vou gritar...)

Meu bem querer
Não mais me quis
Foi um favor que me fez
Posso dizer que sou feliz
E que chegou minha vez (Eu vou gritar...)

Se eu já gozei
Mas vou gozar
Com essa separação
Nunca pensei em esperar
Ter tanta satisfação (Independência ou morte)

Interprete: Jards Macalé
Arranjos: Mauricio Carrilho
Bateria Oscar Bolão
Violão acústico: Mauricio Carrilho
Piano elétrico (Rhodes) e Yamaha DX7: Túlio Mourão
Contrabaixo acústico: Zeca Assumpção

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Novo Amor
Ismael Silva

Arranjastes um novo amor, meu bem!
Eu sou um infeliz, bem sei!
Mas ainda tenho fé
Que hei de te ver chorar,
Quando souberes amar,
Como eu te amei!...

Tu não deves
De ter tanta pretensão
Olha que o tempo muda,
A vida é uma ilusão...
Tu fazes pouco em mim,
Mas isto que bem me importa...
Ficas sabendo, meu bem,
Que o mundo da muita volta!...

Arranjastes um novo amor, meu bem... (etc...)

Arranjei outra,
Que não trocou por ninguém,
Já que tu me abandonastes,
Há males que vem pra bem...
Hoje em dia sou feliz,
Sem a tua ingratidão,
Encontrei outro benzinho,
A quem dei meu coração!...

Interprete: Dalva Torres (cantando com efeito especial de um tubo metálico)
Arranjos: Mauricio Carrilho
Flautim: Álvaro Carrilho
Bateria Oscar Bolão
Contrabaixo Acústico: Zeca Assumpção
Piano acústico com correntes nas cordas: Túlio Mourão
Violão acústico: Mauricio Carrilho
Bandolim: Pedro Amorim

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Se Você Jurar
Ismael Silva/Nilton Bastos/Francisco Alves

Se você jurar
Que me tem amor
Eu posso me regenerar,
Mas se é
Para fingir, mulher,
A orgia assim não vou deixar

Muito tenho sofrido
Por minha lealdade
Agora estou sabido
Não vou atrás de amizade
A minha vida é boa
Não tenho em que pensar
Por uma coisa a toa
Não vou me regenerar

Se você jurar...(etc...)

A mulher é um jogo
Difícil de acertar
E o homem como um bobo
Não se cansa de jogar
O que eu posso fazer
E se você jurar
Arriscar e perder
Ou desta vez então ganhar.

Arranjos: Mauricio Carrilho
Pandeiros e cuia: Marcos Suzano
Violões acústicos: João Aquino e Mauricio Carrilho
Tamborim e ganzá: Oscar Bolão
Bandolim: Pedro Amorim
Cavaquinho: Valmar do Cavaquinho
Suro e tantã: Gordinho
Clarinete: Paulo Sergio
Sax-soprando: Marcelo Bernardes
Coro: Alcina, Álvaro Cunha, Clara Moreno, Paco, Pedro Reis,
Rita Calazans, César, Carrilho, Déia, Fernanda Leite, Hilda, João
de Aquino, Marcelo Bernardes, Márcia Ruiz,, Marcos Suzano, Mauricio
Carrilho, Naiha, Oscar Bolão, Pedro Amorim, Vera Fernandes, Vilma e Zali.
Voz de breque: César Carrilho

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Contraste
Ismael Silva

Existe muita tristeza na rua da Alegria
Existe muita desordem na rua da Harmonia
Analisando essa historia
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaços

Cada vez mais um embaraço
Analisando essa historia
Existe muito fracasso
Dentro do largo da Gloria
Analisando essa historia
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaço

Interprete: Dalva Torres
Arranjos: João de Aquino
Violão acústico e vocalize: João de Aquino

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Coisa Louca
Ismael Silva

Aquele beijo
Foi uma coisa tão louca
Que te confesso com toda sinceridade
Se eu pudesse jamais
Lavaria a boca
Pra não perder aquela sensibilidade

Se a gente andasse
Se beijando noite e dia
Nem assim eu poderia
Conseguir viver em paz
Porque teu beijo
Ou molhado ou enxuto
Uma dúzia por minuto
Ainda não me satisfaz
Não é demais [breque]

Arranjo: Mauricio Carrilho
Violão acústico: Mauricio Carrilho
Bandoneons (2): Ubirajara do Bandoneon

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Nome Feio
Ismael Silva

A vocês vou fazer um pedido
Não é de dinheiro
Não tenham receio
Se o meu nome ficar esquecido
Para não me chamarem
De nenhum nome feio
Nome feio a que me refiro
Mão é nada disto que já estão pensando
É Brás, Fedegoso, Pancrácio, Belmiro,
Adão, Brederodes, Pafuncio, Rolando

Apesar de eu ter educação
Para participar do melhor ambiente
Quando me fazem dizer palavrão
Digo: inconstitucionalissimamente
Se eu tivesse me sentindo mas
Não estava sorrindo, cantando a esmo
Que pergunta besta desse pessoal
Pois quem é que não vê que eu
Sou feio assim mesmo

Interprete: Dalva Torres
Arranjo: Mauricio Carrilho
Piano Acústico: Túlio Mourão
Clarinetes (2): Paulo Sergio

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Antonico
Ismael Silva

Ô Antonico
Vou lhe pedir um favor
Que só depende da sua boa vontade
É necessária uma variação pro Nestor
Que esta vivendo em grande dificuldade
Ele esta mesmo dançando na corda bamba
Ele é aquele que na escola de samba
Toca cuíca, toca surdo e tamborim
Faça por ele como se fosse por mim.

Ate muamba já fizeram por rapaz
Porque no samba ninguém faz o que ele faz
Mas hei de vê-lo muito bem, se Deus quiser
E agradeço pelo que você fizer

Na interpretação de Dalva Torres - Arranjos: João de Aquino - Sax-soprando: Marcelo Bernardes
Contrabaixo acústico: Zeca Assumpção - Violão acústico: João de Aquino - Yamaha DX7: Túlio Mourão
Acordeão: Chiquinho do Acordeão - Na interpretação: Jards Macale - Violão acústico: Jards Macale

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Peçam Bis
Ismael Silva

A todos que estão me ouvindo
Eu agradeço
Esta atenção dispensada
E mais do que mereço
Se não gostarem
Não digam nada a ninguém
Senão os outros
Não vão me aturar também

Não vão fazer
O que aconteceu certo dia
Foi tanto bis
Que eu já não podia atender
No, entretanto
O que a platéia queria
É que eu cantasse
Cantasse ate aprender

Interprete: Jards Macale
Arranjo: Mauricio Carrilho
Violão acústico e imitação do trobone:
Jardas Macale.

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Jards Macalé - Site Oficial
jmacale@brazilianmusic.com.br
Hélio Rodrigues Produções

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