História









Foto: Eduardo ClarkCUIDADO! Há um morcego na porta principal, CUIDADO!

Por um instante, o pânico. Macalé - de bata, barba longa e negra, cara pesada - gritava:

- Cuidado!

Depois, a vaia. Como quem foi pega numa brincadeira e não gostou, a platéia do IV Festival Internacional da Canção se vingava.

- Já havia passado a jovem guarda, já havia passado o tropicalismo. Mas ainda havia aquele embalo e quando a gente entrou para defender Gotham City, com aquelas roupas e as guitarras elétricas, criou-se um clima. Porque o festival era coisa bem-comportada, com valores estabelecidos e, no momento em que o público se deparou com aquele visual, começou a ficar irritado. A vaia foi até o fim e ficou registrada em cadeia nacional. Isso foi no Maracanãzinho, num momento difícil: 1969. Não era só a música, era o Brasil que estava em questão. E quando se grita "cuidado", é com carinho para com a outra pessoa: "vê se não, escorrega e se quebra todo". Mas com a agressividade do público, eu me tornei agressivo. O público estava acostumado a ser o espetáculo e houve um embate.

Macalé saía do fundo do palco. E foi confundido com louco porque tentou um grito de amor. Um tímido tachado de louco.

Jards Macalé: 3 anos e 5 mesesConhecido como Macalé, mas é Jards Anet da Silva, ou "da Selva", como declama no admirável Aprender a Nadar. Um carioca da Tijuca, nascido a 3 de março de 1943, ao pé do Morro da Formiga. Nasceu rodeado de música: no morro, os batuques; no vizinho, Vicente Celestino e Gilda de Abreu. E em casa, os foxes, as valsas e as modinhas tocadas pela mãe, dona Lígia, ao piano; o pai no acordeom; o coro familiar com Roberto (irmão caçula) e Jards. E no rádio, Orlando Silva, Marlene, Emilinha.

Aos oito anos, Macalé foi morar em lpanema. No intervalo das dificuldades com as tarefas da escola, feitas na marra - com o pai, oficial da Marinha, ao lado -, Jards jogava futebol na praia. Jogava mal. E ganhou o apelido de Macalé, homenagem ao pior jogador do Botafogo na época.

Em Ipanema, ainda a música na vizinhança: a amizade com Chiquinho, filho de Severino Araújo (maestro da Orquestra Tabajara) e as idas às rádios Nacional e Mayrink Veiga. Foi o maestro que lhe mostrou maracatus, frevos, sambas-canções, jazz, blues, sambas e choros.

Havia também os festivais da juventude no Cine Rex com a madrinha (Dinda) ou com o pai. Depois, um porre de cinema no Cineac, de onde o menino só saía arrastado: Chaplin, Max Linder, Irmãos Marx, Buster Keaton.

No violão começou de espia, na carona das aulas da vizinha Marilena. Ficava assistindo e depois pedia o violão emprestado, repetia as posições.

Chiquinho Araújo tocava bateria e resolveu formar com Macalé o conjunto Dois no Balanço, em 1959. Com a vinda de novo companheiro, o conjunto virou Três no Balanço; e de um em um chegaram a Seis no Balanço. "Conjunto fantasia de garoto", tocando jazz, seresta, samba-canção até altas madrugadas.

Depois veio a bossa nova e a descoberta do violão de João Gilberto, novo para o Seis no Balanço, que existiu até 1963.
Macalé fazia alguns arranjos e começou a compor: Tristeza em Canção ("Vê, a chuva vem e faz / Quem não chorou chorar / (...) / E o vento vem e traz tristeza em canção / (...) / E eu sozinho não sei mais, não sei quem sou") é de 1959.

Duda, um dos primeiros parceiros de Macalé, conhecia Torquato Neto, que conhecia Jota Piauiense, que conhecia Caetano Veloso, que ficou sabendo dos Seis no Balanço e que os visitou em pleno ensaio, num dia de 1962. Foi o suficiente. A amizade criou a ponte Rio - Bahia, por onde viajavam as informações. Até que veio o convite para Macalé estudar música em Salvador. Mas sair de casa era um feito heróico, não realizado. As malas prontas, Jards ficou no Rio mesmo.

De 1960 a 1969, seu trabalho foi fundamentalmente de músico e instrumentista. Mas arriscou algumas letras que acabaram gravadas: Meu Mundo é Seu, por Elizeth Cardoso, em 1964 e Amo Tanto, por Nara Leão, em 1966.

Macalé e Maria BethâniaIniciou a carreira profissional em 1965, substituindo Roberto Nascimento no violão junto ao Grupo Opinião; depois veio Arena Conta Bahia, também em 1965. Em 1966 já fazia a direção musical do Recital, de Bethânia, no Rio. Foram muitos espetáculos, Macalé ao fundo, seu violão, sua cara de menino sério. A extrema timidez.

Em 1967 o tropicalismo começava a se caracterizar e Macalé se decidia pelo estudo de música: piano, orquestração (com Guerra Peixe), violoncelo (com Peter Daulsberg), análise musical (com Ester Scliar), violão (com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno), composição (na Pró-Arte).

Assistiu de perto ao desenvolvimento do tropicalismo. Embora fosse muito amigo dos baianos e mesmo confundido com eles, sua participação se resumiu a discussões domésticas. Nunca assumiu a postura rotulada. Continuava o trabalho, trocava experiências, acompanhando tudo. Em 1968 começou a compor ao lado de Antônio Carlos Capinam e foi ganhando o gosto de cantar.

Todo o movimento pop, sobretudo os Beatles e Jimi Hendrix, havia contribuído para modificações na estrutura musical de Macalé. "Foi difícil a passagem, mas era vital".

E nasceu Gotham City, em parceria com Capinam. Macalé saltando com toda sua força. Maldito pelas gravadoras. Maldito para o público.

Após o FIC, Gal Costa, Paulinho da Viola, Capinam e Macalé criaram a Tropicarte para produzir e empresariar os próprios espetáculos. Foi um show de incompetência empresarial que durou apenas alguns meses. Ainda em 1969, Macalé gravou pela RGE o compacto duplo Só Morto, com música sua (Soluços) e outras em parceria com Capinam (O Crime) e com Duda (Só Morto e Sem Essa). Essa última foi regravada em 1977 no LP Contrastes ("Olha, / Não é nada disso / (...) / Mesmo assim fiquei pensando / Que a gente podia viajar / E fazer um álbum de fotografias / Pra depois queimar / E depois lembrar").

O compacto foi pessimamente mixado, mal distribuído. Era o primeiro disco e, depois de iniciados os trabalhos, o rapaz que cuidava da gravação se surpreendeu, pois pensava que era um disquinho qualquer, de uma garotada nova que tava por aí. Quando viu a qualidade do trabalho já era tarde demais: já estava tudo mal gravado.

Nesse ano Macalé trabalhou com Gal Costa na gravação de Le-Gal e fez o show Meu Nome é Gal na boate Sucata (1969/1970), viajando depois pelo Brasil. Já não era mais o cara do fundo do palco.

Carnaval de 1970. Bethânia chega de Londres com um recado do mano Caetano: "Macao, ligue para mim urgente". Depois de telefonar, Macalé arrumou as malas. E desta vez não ficou.

O período europeu (1971) foi rico em trabalhos e troca de influências. Brasileiros dando concerto em cima de caminhão no Queen Elisabeth Music Hall. Shows em Amsterdã, Paris, Zurique. Caetano estava lá, mas não queria estar, e quando Macalé chegou levando o pique, agitou, mobilizou.

Lá distante do Brasil, não tinha inquérito cultural nem tomada de posição. E como não tinha nada pra responder pra Rainha Elisabeth, a gente ficou naquela transação de música, um aprofundamento de nossas relações como músicos e como gente. Quase um ano depois, estava de volta. Com sede de Brasil. Novos shows, mas nenhum disco solo.

Macalé resolveu que ele também seria veículo de seu trabalho, até então conhecido na voz de Gal (Hotel das Estrelas), Bethânia (Anjo Exterminado e Movimento dos Barcos), Clara Nunes (O Mais-Que-Perfeito), entre outras. Desligou-se musicalmente de Caetano e propôs a Guilherme Araújo a gravação de um LP. "Jards Macalé" foi lançado pela Philips em 1972. Era um disco-relato de sua constante busca, de sua curiosidade natural, um registro de suas composições entre 1969/1971. Houve problemas de toda espécie, inclusive com a censura: Revendo Amigos, com letra de Waly Saiolormoon, foi doze vezes para a censura. O original era: "Se me der na veneta, eu vou. / Se me der na veneta, eu mato / Se me der na veneta, eu morro / E volto pra curtir / Se chego num dia não / E se pintar um bode, / Eu vou, eu mato, eu morro e volto pra curtir".

Macalé e Capinam (1969)Este LP apresenta músicas de seus principais parceiros, que continuariam presentes nos discos seguintes: Capinam (Farinha do Desprezo, Movimento dos Barcos, 78 Rotações), Waly Sailormoon (Mal Secreto), baianos e poetas, e o piauiense Torquato Neto (Let’s Play That), cujo convívio com Macalé jamais se esgotou nas letras. Fala Waly:

"Começamos a trabalhar exatamente naquele período que marcava um vazio depois do AI-5, depois de tudo o que foi o tropicalismo em 1968 e que foi cortado violentamente no final daquele ano. 1969 começava como um período de esmagamento total, vindo de cima, do poder. A gente conversava muito e eu ficava incitando o Macalé a quebrar os vínculos com os remanescentes da bossa nova ou então com a música de concerto, com aquele perfeccionismo. Insistia na necessidade dele criar um espaço próprio. Isso era fundamental naquele momento - uma voz que continuasse cantando e mantivesse acesa a chama. Nessa época escrevi e Macalé musicou Vapor Barato, de letra oposta à tendência "liricista" e nebulosa que predominava. Era direta, frontal, dizendo o que era possível naquele momento de desencanto: "Oh, sim, eu estou tão cansado, / Mas não pra dizer / Que eu não acredito mais em você". Vapor Barato foi gravada por Gal Costa no LP Fa-Tal, Gal a Todo Vapor e todo mundo sabia tocá-la no violão. Parecia o hino de um pobre woodstock caboclo."

O primeiro LP de Macalé teve produção simples e "econômica", com Lanny no violão e contrabaixo e Tutti Moreno na bateria. Considerado um dos melhores do ano pela crítica, "Jards Macalé" logo virou preciosidade, porque foi retirado de catálogo. Nele predomina um clima triste, onde passam blues, samba-canção, rock e mesmo algo de bolero. Macalé canta seccionando as palavras, de tal forma que adquirem a dimensão do inusitado.

"É o disco que mais gosto. Foi a coisa mais descontraída, na verdade. Só com Lanny e Tutti e muito equilíbrio. Apesar da mesma construção, a gente conseguir fazer cada faixa diferente da outra, criando um unidade incrível."

Praticamente não houve lançamento. Apenas o show produzido por Guilherme Araújo - Meu Amor Me Agarra & Geme & Teme & Chora & Mata, título de uma das faixas com parceria de Capinam. E o caminho percorrido por tantos outros, de rádio em rádio, fazendo como podia o trabalho de divulgação.

Ainda em 1972 Macalé fez o Circuito Universitário, com Gil, no Rio e pelo interior de São Paulo. E gravou outro compacto - Classificados - que também não aconteceu.

Briga na Philips por direitos autorais, Macalé atolado em dívidas. Para aliviar a crise financeira, ele, que já fizera tanto show beneficente, mesmo em sanatórios e prisões, resolveu partir para um show em autobenefício: Banquete dos Mendigos, em 1973, ano do 25º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A ONU propôs que nos uníssemos para comemorar. Aceitamos e ela botou a bandeira dela, o diretor do centro de informações da ONU leu a Declaração e fizemos o show. Tinha mais de 4 mil pessoas no MAM. Também participaram Chico Buarque, Milton Nascimento, Gonzaguinha, Jorge Mautner, Raul Seixas, Gal, Dominguinhos. Mas o disco foi censurado.

Da inter-relação Macalé-Waly resultou em 1974 o LP Aprender a Nadar, lançado pela Philips: "Macalé apresenta Sailormoon’s, linha de morbeza romântica" (neologismo de Waly: soma de morbidez com beleza). Segundo Waly, a idéia de morbeza romântica era para definir, identificar uma linha de ação, como uma estratégia da qual depois de larga e se busca outra. Nela se incluem: O Faquir da Dor, Rua Real Grandeza, Anjo Exterminado e Dona do Castelo. Com a morbeza romântica, Macalé e Waly retomaram sob outra dimensão a dor-de-cotovelo. O lançamento foi uma festa.

"Convenci a produção a alugar uma barca da Cantareira e montar um som dentro dela. Convidei várias pessoas e, em clima de festa natural, com sanduíches de salaminho, batida de limão e maracujá, saímos pela baía da Guanabara e fomos até embaixo da ponte Rio-Niterói, tocando. Cantei ali algumas músicas ali embaixo da ponte. Eu tinha alugado escondido uma barquinha que foi atrás da barca sem que ninguém visse. Depois do show fiz uma espécie de strip-tease - estava de calção - saí correndo e, de repente, me atirei na baía, saí nadando e fui embora. Aí explodiu lá dentro o Mambo da Cantareira (de Barbosa da Silva e Eloide Warthon). Quando a barca voltou, eu já estava em terra, esperando os convidados. Tinha ficado um clima de surpresa e susto."

Macalé em "O Amuleto de Ogum"Na mesma época de Aprender a Nadar, Macalé fez a trilha sonora de Amuleto de Ogum, filme de Nelson Pereira dos Santos, onde foi também ator (o cego do violão). Já havia participado da trilha sonora de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade (1968); de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha (1968); e de A Rainha Diaba, de Antônio Carlos Fontoura (1970). Em 1974 fez a trilha sonora do documentário de Ana Carolina - Getúlio Vargas -, com músicas sobre literatura de cordel. Mas foi em 1975, no Amuleto de Ogum, que aprofundou sua interpretação e conheceu a verdadeira emoção de fazer música.

Porque o cinema tem sido importante na vida do compositor Macalé: a partir dessa experiência, vem buscando criar em sua música um movimento condutor ao visual, aos sons que refletem o ruído do cotidiano.

O cinema me revela um outro lado. Todas as coisas são música, o tempo inteiro. Os pássaros, o corpo humano, a respiração, a fala da pessoas. E as pessoas ouvem a música no cotidiano que é feita só de ruídos.

Em 1975, no Festival Abertura da Rede Globo de Televisão, Macalé cantou Princípio do Prazer, mordiscando maçã e pétalas de rosas.

"E de novo pintou a divisão da vaia e aplauso. Mas aprendi uma coisa: a incorporar a reação agressiva e a devolver não-agressivamente, a incorporar o trabalho, como manifestação musical. Brincar com a vaia. Não era uma atitude de embate, mas de compreensão da própria situação. Na realidade, Abertura, de repente, queria se parecer com o FIC".

Macalé no show Sorriso VerãoDepois, "o homem que comia flores" saiu pelo Brasil tocando seu violão sentado numa privada: com o show Sorriso Verão - considerado o melhor de 1975 pela crítica especializada - percorreu dezenas de cidades brasileiras entre 1975 e 1977. Foi o sucesso, como se costuma dizer. Casa lotada e a conta em dia no banco. O aplauso do público.

Em 1976 Macalé trabalhou pela primeira vez ao lado de Moreira da Silva, o tradicional malandroMacalé e Moreira da Silva carioca. Macalé personificava a outra versão: o malandro crítico, dono de um humor que faz rir, mas dói. A dupla apresentou-se no Rio, dentro do Projeto Seis e Meia (espetáculos populares do teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no horário das 18:30 horas). Em 1978, novamente juntos, fizeram o Projeto Pixinguinha (equivalente ao Seis e Meia, com roteiro pelo Brasil). Em 1977, Macalé apresentou-se na Concha Verde da Urca, com o show Quem Sabe, Sobe, também cheio de improvisações. Do jeito que ele gosta.

Este foi ainda o ano de dois grandes trabalhos. No cinema, fez a trilha sonora e o personagem principal de Tenda dos Milagres, outro filme de Nelson Pereira dos Santos. Foi Pedro Archanjo - representante da cultura popular em luta contra a opressão de uma cultura dominante importada. E o LP Contrastes, lançado pela Som Livre.

Velho conhecido, Macalé já está bem distante do grito de Gotham City, livre do rótulo de louco e maldito com que a máquina comercial quis vendê-lo. Macalé-contrastes, um curioso incansável, recriador.

"Eu não sei fazer nada absolutamente igual. Nos shows, cada momento depende de minha relação com a platéia, onde muitas coisas podem acontecer. Então absorvo e devolvo. Da mesma forma não sei cantar ou tocar uma música exatamente igual outra vez. Então, pra mim, um trabalho criativo é um trabalho essencialmente dinâmico. Estou sempre buscando. E uma coisa que me dá muito prazer é justamente buscar."

Há anos sem gravar discos, o cantor volta aclamado pela crítica com regravações e músicas inéditas.

JARDS MACALÉ esta lançando o seu novo CD intitulado ‘‘O Q EU FAÇO É MÚSICA", pela gravadora Atração. Este CD marca o retorno de JARDS ao cenário fonográfico, depois de ter ficado afastado por 11 anos.

Porém, MACALÉ não se afastou do cenário musical, tendo feito apresentações pelo país, entre elas, em 98 com Paulo Moura em São Paulo, Rio de Janeiro, Londrina e Salvador com o o show que comemorou os 90 anos de Cartola. Além disso, integrou os Song’s Book de importantes personalidades como Ari Barroso, Noel Rosa, Tom Jobim e, recentemente, no de Chico Buarque de Holanda com a música "Acorda Amor".

Macalé traz em suas canções parcerias importantes como Vinicius de Moraes, Xico Chaves, Wally Salomão, o poeta baiano Capinam, Abel Silva, letras de Torquato Neto e do cineasta Glauber Rocha , poema de Bertold Brecht, além de suas músicas inéditas.

A canção "Vapor Barato", uma parceria com Wally Salomão e que faz parte do repertório de "O Q EU FAÇO É MÚSICA", foi composta há trinta anos. Em 95, foi tema do premiado filme "Terra Estrangeira", além de ter sido regravada pelo grupo carioca O Rappa e pela própria Gal Costa, que interpretou a música originalmente em 1971 no disco "Todo Vapor", e mais recentemente em um dueto com Zeca Baleiro, no Acústico MTV

"O Q FAÇO É MÚSICA"

Neste CD, o compositor, violonista, arranjador e cantor MACALÉ resgata músicos que o acompanharam no ínicio de sua carreira, como o guitarrista Lanny Gordin.

O artista interpreta sambas tradicionais como "Favela" (de Padeirinho e Jorginho) e "Cidade Lagoa" (Moreira da Silva), além de músicar letras do cineasta Glauber Rocha ("Rei de Janeiro") e Torquato Neto ("Destino" e "Dente no Dente"). Entre as novas interpretações de seu repertório estão "Movimento dos Barcos" e "Poema da Rosa".

Isso não exclui alguma parada, Macalé seguindo o conselho de uma grande amiga, a artista plástica Lígia Clark: "Deixe esvaziar tudo. Quando tudo chegar ao ponto zero, o novo aparece."

Participações em cinema

1968, Macunaíma
Direção de Joaquim Pedro, baseado em conto de Mário de Andrade. Trilha sonora de Macalé.

1968, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro
Direção de Glauber Rocha. Macalé transcreve de piano para violão canção de Marlos Nobre, escrita para Maria Bethânia.

1970, Rainha Diaba
Direção de Antonio Carlos Fontoura. Macalé faz arranjos e toca violão para cenas de Odete Lara.

1971, O Demiurgo
Direção de Jorge Mautner. Filmado em Londres, com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Norma Benguel. Macalé participa como ator

1974, Getúlio Vargas
Direção de Ana Carolina. Músicas sobre literatura de cordel. Jards Macalé participa da trilha sonora.

1975, O Amuleto de Ogum
Direção de Nelson Pereira dos Santos. Participação de Jards Macalé: trilha sonora, músicas e como ator

1977, Tenda dos Milagres
Direção de Nelson Pereira dos Santos, baseado no romance de Jorge Amado.Participação de Jards Macalé: trilha sonora, músicas e como ator

1977, Na Ponta da Faca
Direção de Miguel Faria. Macalé faz arranjos e toca violão.

1977, Se Segura Malandro
Direção de Hugo Carvana. Macalé participa de trilha sonora e compõe músicas.

 

Estudos e composições para instrumentos

1963, Tema do Boneco do Jota
Violão e flauta. Composição para desenho animado (do Jota) João Viana, baseado em poema de Carlos Drummond de Andrade.

1965, Ensaio nº 12
Violão. Homenagem a Paulinho da Viola.

1965, Giselda
Violão. Homenagem a Giselda Santos.

1966, Choro Chorado
Violão. Escrito para Joyce.

1967, Descendo a Ladeira
Violão.

1967, Choro nº 3
Violão.

1968, Diminutas
Violão. Escrita para Ester Scliar.

1968, Tema para oito violoncellos
Violoncello. Estudo para apresentação na Pró-Música. Homenagem ao maestro Guerra Peixe.

1968, Quartas Justas
Violoncello. Estudo para violoncelista Peter Danelgsberg.

1972, Garoto
Violão e flauta. Composição em homenagem ao violonista Garoto

1974, Choro de Archanjo
Para banda. Composição para tema da trilha sonora do filme "Tenda dos Milagres".


Jards Macalé - Site Oficial
jmacale@brazilianmusic.com.br
Hélio Rodrigues Produções

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