| O que dizem de Macalé | |
Existe um grupo de artistas da MPB que têm talento invejável. Macalé, cantor, compositor e arranjador está nesta lista. Macalé brinca com o público. O público corresponde. Canta com seu ídolo. Ninguém se segura com a incrível interpretação do Desafinado. Um espetáculo bem dosado, bem cuidado, em que não falta bom gosto, carinho e dedicação ao público e à arte. Um show imperdível para qualquer pessoa, mas sobretudo, para os amantes da música. Visão, 4/10/1985, Show Delta Zero Entre todas as posições de música popular, Jards
Macalé, prefere todas. Instrumentista, compositor, intérprete, produtor, diretor,
agitador cultural... Tudo com jeito novo de interpretar. Como tudo o que assina, Macalé compôs um
painel brilhante de obra dos grandes compositores, ordenando as músicas escolhidas de
forma conceitual, conferindo-lhes sentido e dinâmioca ainda maiores do que os que
guardam, isoladas. O Jards faz o samba em toda a sua
naturalidade e pureza, recriando... É um intérprete fabuloso. Jards Macalé volta com uma obra notável.
O compositor de algumas canções inesquecíveis da década de 70 dá lugar ao cantor e
ótimo violonista... O resultado é sutil e sofisticado, num disco que pode ser curtido
integralmente. Macalé gravou, de cara, uma peça de
antologia. Um artista capaz de tudo. Capaz de compor
como poucos atores fariam o personagem de um filme de Nelson Pereira dos Santos. Capaz de
hipnotizar e levar ao paroxismo - como poucos mambembes fariam - uma multidão de jovens
cantando no Parque lage. Capaz de assumir com desprendimento uma coadjuvância criativa
para com Moreira da Silva, parceiro de palco no Projeto Pixinguinha. Capaz, em
contrapartida, de jogar igual com o honorável Confúncio, em parceria belíssima... Este
é Jards Macalé, um ser humano sempre surpreendente. Jards Macalé com repertório soberbo. Jards Macalé lança disco impecável... A
voz cada vez mais límpida e lúcida de Macalé... São 12 composições com o valor do
passado e vestidas de futuro. Um elo inteligente, que poucos artistas ousam construir. Jards Macalé não precisa dizer, com seu
último disco, o que tem a fazer em matéria de música popular brasileira... Se há algo
que ele prova, é que não precisa provar nada a ninguém... E se há algo que Jards
Macalé prova, é que tem lugar garantido e privilegiado no cenário. Para a música brasileira, Jards Macalé
está numa posição coerente e agradável... A sua performance é das melhores... O
repertório é exato... Em alguns momentos Jards Macalé se faz voz e violão, noutros vai
de cuíca e tamborim, mas guarda passagem onde sua voz é apoiada por cordas apenas.
Quatro Batutas e Um Coringa está bem à altura de tudo o que nós sabemos poder
alcançar. Com seu fraseado de esgares, palavras
mastigadas e um permanente interesse pelo lado gutural da interpretação, ele canta
pérolas dos repertórios de Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Lupiscínio Rodrigues e
Geraldo Pereira... Nada de clássicos óbvios, e se é o caso (Luz Negra, A Flor e o
Espinho), Macalé vai por caminhos tão opostos ao esperado que é preciso recalcular os
ouvidos de acordo com os novos códigos do intérprete... Macalé enxerta pausas de
"mil compassos" e destaca o lirismo do samba encabulado de pouco valor nesta
terra de doutor, como diz a letra. É seu doutor, o Macalé - tanto quanto o samba - tem
razão. Está na hora de reprocessar e ouvir com ouvidos novos o velho ritmo e seus poetas
desarmados. Jards Anet da Silva, ou melhor, da vida,
volta com um disco surpreendente... O tratamento que Macalé dá a cada uma das músicas
de 4 Batutas & 1 Coringa é de arrepiar... Nunca se viu tanta obra-prima reunida num
só disco, cantadas por um intérprete da pesada... O disco vira uma obra-prima, quando
você acaba de ouvir e não quer voltar a uma faixa ou outra. Não tem faixa pior. São
todas sublimes. Trata-se de uma obra rara... Macalé
revisita a obra de Paulinho, Nelson, Geraldo Pereira e Lupiscínio quase que de dentro
delas - com o milagre de não sacrificar jamais as suas características de intérprete
singular. Desafio qualquer amante da música brasileira a não gostar de Quatro Batutas
& Um Coringa... Em Bolinha de Papel, Geraldo Pereira, Macalé radicaliza a incrível
noção de divisão do compositor - e vai mais longe que a gravação célebre de João
Gilberto... Ao reler a obra de geniais compositores da
música popular, Jards Macalé descobre em cada um deles uma particularidade até então
obscura... Recusa o presumível itinerário de todos os compositores que homenageia e
enriquece a seu modo as músicas que escolheu para gravar... Desnuda em cada
interpretação a intimidade imprescindível com as rimas que persegue. Ele transgride os
rígidos preceitos da obviedade... Como tratar esteticamente quatro dos mais
peculiares (e fortes) compositores e um intérprete de música popular? Cada um se
caracteriza pela força própria. Jards Macalé, também... O disco tem unidade estética
de tratamento, montada a partir da busca de precisão. Macalé trabalha muito com a
divisão, arte fundamental e um tanto esquecida da música popular na qual ele é bamba.
Tanto Lupiscínio quanto Nelson Cavaquinho ganham sentidos novos. Por contraste, Geraldo
Pereira e Paulinho da Viola também... É uma viagem pelo belo. Vivendo um momento extremamente criativo,
Jards Macalé precisa ser visto e revisto. Importante da Bossa-Nova à Tropicália e a
tudo o que veio depois. De noite o vi tocando no Circo Voador.
Macalé e seu violão. Já era tarde, mas o público não queria deixá-lo sair. A falada música popular brasileira está
vivíssima. O espetáculo que Jards Macalé apresenta até amanhã garante uma
constatação... Um banquinho e um violão, em outras palavras, simplicidade, os mesmos
elementos que fazem deste show de Macalé uma aula de música em poucas lições. O
músico transmite seus conhecimentos com uma docilidade inimaginável. A aula de Macalé
pressupõe diálogo, uma maneira muito singela que ele encontrou de ensinar com a ajuda de
assovios, sussuros e gritos do público. Macalé não é apenas um excelente
violonista e um surpreendente cantor - é um reinventor daquilo que interpreta. As suas
versões tantos de suas músicas como de clássicos nacionais ou não (como a versão do
rock Blue Suede Shoes) são imperdíveis. Artista preocupado com o que se passa nas ruas
da cidade, Macalé transforma o material com que lida em instrumento de comentário
social, sem jamais escorregar para o panfletarismo... E tudo fica, de repente, moderno,
novo, inusitado, pois Macalé é, fácil de dizer, a surpresa em ação. Uma trilha sonora dos anos 70 não seria
possível se não tivese pelo menos seis músicas de Jards Macalé... Macalé, também
cantor de dotes especiais, mostra essa pequena enciclopédia da música brasileira com sua
atual tranquilidade... Macalé tem percorrido, em participações importantes todos os
movimentos da música brasileira desde os 60... O show é uma ótima oportunidade para
saber que surpresa nos reservam os anos 80. O espetáculo mostra um artista
amadurecido, que encara sua música como seu partido político e seu credo. Desde os anos 60, seu nome é sinônimo de
novo, de qualidade de ousadia... Jards Macalé acabou recentemente uma temporada, num dos
shows mais importantes a que o Rio de Janeiro assistiu nos últimos anos... É este
espetáculo que Jards Macalé vai levar para São Paulo e Brasília, onde ele canta com os
dentes, a língua, a saliva, a respiração, um perfeita integração de música e letra,
as palavras sendo divididas em sílabas que vão se transformando em novos e
surpreendentes sons. Uma verdadeira orquestra na garganta, com direito a todos os
instrumentos... E só quem entende de música com maiúscula, é capaz de fazer o que
Jards Macalé vem criando durante todos estes anos... Jards Macalé está presente em
todos os momentos em que a arte brasileira respira algo novo. Mas, logo depois, procura-se
por ele - e onde está? Mais adiante, abrindo novos caminhos.
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Jards Macalé - Site
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